Empresários de sucesso: conheça a história de superação entre mãe e filho

Por Douglas Alexandre

Empregada Caixa por 33 anos, Cleusangela enfrentou muitos desafios para a formação do filho surdo e agora são sócios em uma startup

Cleo e Felipe: arquivo pessoal

Essa é uma daquelas histórias que ficamos admirados e curiosos aguardando o final. Para quem tem uma pessoa com deficiência (PCD) na família, ou simplesmente aqueles que gostam de uma boa dose de superação e amor envolvido, apresentamos a linda trajetória de mãe e filho.

Cleusangela Barros tem 59 anos e se aposentou em 2015, após quase 33 anos de dedicação a Caixa. Foram tempos de muita felicidade e aprendizado, mas também de grande entrega e administração do seu tempo. Isso porque o seu filho, Felipe Barros, hoje com 36, ficou surdo aos 2 anos de idade, após sequela de uma meningite pneumocócica, doença que atingiu várias crianças a época, no final dos anos 80 e ela teve que dedicar parte do seu tempo para a educação do pequeno Felipe.

Já desde de muito pequeno, os problemas começaram para Cleusangela conseguir a educação pedagógica para o filho. A empregada Caixa natural da Bahia, foi transferida para Belo Horizonte como opção para criar o pequeno Felipe com mais possibilidades na cidade mineira, contudo não foi o que se viu. Apesar da estrutura da capital, aqui ainda não havia escolas especializadas em educação para surdos e nem ao menos adaptadas para essa necessidade.

Felipe entrou para uma escolinha que permitiu sua matrícula desde que os pais assumissem a sua alfabetização. Lá ele encontrou um colega que o ensinou libras e mais tarde Cleusangela também fez faculdade nesse segmento e passou a educar o filho em casa. “Na nossa casa tudo tinha nome. Ele olhava a geladeira e lá estava escrita a palavra. Assim como cama, mesa, fogão, sofá, cortina, teto, piso etc. Ele sabia que as coisas tinham nomes e sabia como escrever”, contou.

A família transformou uma dificuldade em motivação e o menino, esperto e dedicado, aprendeu a ler e escrever. Mas somente quando ele estava no ensino médio, exatamente no dia 24 de abril de 2002, que a lei 10.436/02 foi aprovada. Esta reconhece Libras como língua oficial dos surdos brasileiros, e assim ele pôde contar com intérpretes em sala de aula.

Para prestar vestibular, Cleusangela e o marido Josenildo que também esteve muito presente na formação do filho, tiveram que acionar a justiça para que ele conseguisse um intérprete. Após isso, Felipe foi aprovado na PUC Minas e se formou no curso de Sistema de Informação. Ele foi o primeiro surdo no estado a concluir uma graduação e não parou por aí. Felipe teve seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) aprovado e indicado para uma aceleradora de startup, onde concorreu com mais de 200 trabalhos e apenas seis seriam escolhidos. Com competência, o seu projeto estava entre os selecionados.

“Minha mãe é valiosíssima, pois exigiu muito de mim e estimulou meus estudos e formação, também minha vida profissional. Eu era uma criança que tinha muitíssima dificuldade de aprender, já que não tinha acessibilidade. Ela não desistiu do sonho de ver seu filho se tornar competente, mesmo com a deficiência. Estimulou e exigiu muito para que eu estudasse. Eu me tornei empreendedor graças ao seu apoio. Sem ela, não aconteceria nada hoje, por isso agradeço profundamente a minha mãe”, declarou Felipe em entrevista.

SignumWeb

Logo após a formação de Felipe, então surgiu a SignumWeb. Desenvolvido por ele, o projeto tem como objetivo justamente evitar que outras pessoas surdas passe por problemas de comunicação que ele sofreu ao longo da vida. Após se aposentar, Cleusangela foi convidada pelo filho para trabalhar com ele na condição de sócia da empresa.

“Os intérpretes trabalham como Freelancer para ajudar intermediar a comunicação através de Libras. Serve como plataforma de videoconferência, para tornar acessíveis: contatos telefônicos, documentos, sites e blogs”, informou Felipe. “Através da plataforma é possível chamar o intérprete de Libras em tempo real e até de forma presencial, sempre que uma empresa precisar se comunicar com seu empregado e/ou cliente surdo. Para isso basta a utilização de um smartphone, um tablet ou um computador com webcam e de uma internet de boa qualidade”, completou Cleusangela.

O Filho dos Sonhos

Esse é o título do livro publicado neste ano de 2021, que Cleusangela escreveu quando Felipe entrou na faculdade. Ele narra com detalhes todas as barreiras e dificuldades que encontraram ao longo da busca pela sua formação. Aborda ainda a surdez sob o olhar da mãe, fugindo dos modelos tradicionais voltados para o relato clínico. Saiba mais informações sobre o livro aqui.

Sobre o futuro, Felipe espera que sua empresa, que já tem contrato com os governos federal e estadual, possa alcançar parcerias internacionais, rompendo as barreiras da comunicação. Já Cleusangela aposentada da caixa que trabalha para ver o filho crescer sempre mais, tem um lema:

“Se ainda não surgiu algo que te desafie, crie, pois vai sempre te manter produtivo”.

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