Sem venda de ativos, lucro líquido da Caixa cai 44,6%

Por Carolina Marçal

Fenae e outras entidades representativas têm alertado para o risco da venda de áreas rentáveis do banco

No 1º trimestre de 2022, o lucro líquido da Caixa foi de R$ 2,5 bilhões, o que representa uma redução de 44,6% em relação ao 1º trimestre de 2021. Nos últimos três anos (2019, 2020 e 2021), a Caixa obteve lucros recordes, alardeados pelo presidente do banco, Pedro Guimarães, devido a venda de ativos (veja quadro).

“A Fenae e demais entidades representativas dos empregados vem alertando que a venda de ativos enfraquece o equilíbrio financeiro da Caixa e ameaça seu papel social. E o que são esses ativos? Patrimônio do povo brasileiro que está sendo repassado à iniciativa privada, que não tem compromisso com o desenvolvimento econômico e social do país, como tem um banco público, responsável por políticas públicas de habitação, educação, apoio às pequenas e médias empresas, dentre outras”, alerta Sergio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal, Sergio Takemoto.

Desde 2019, a gestão da Caixa vem se desfazendo de ativos importantes para o banco como notas do tesouro nacional, títulos de ações (principalmente da Petrobrás), ações da Caixa Seguridade (IPO) e Banco PAN.

Para a representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, a geração de resultados derivada de venda de ativos não é uma estratégia sustentável. “Na verdade, pode comprometer o futuro da Instituição, ao diminuir a geração de receitas futuras e prejudicar sua autonomia, como agente de políticas públicas” reforça a conselheira eleita.

Os resultados divulgados nesta quinta-feira (12) reforçam a importância social da Caixa. O banco efetuou o pagamento de 116 milhões de parcelas de programas sociais, benefícios ao trabalho e benefícios do INSS em todo o Brasil, totalizando R$ 83 ,5 bilhões em benefícios pagos.

“Isso só foi possível graças ao empenho e dedicação dos trabalhadores, que mesmo com os riscos de contaminação pela Covid-19, atenderam metade da população brasileira. Mas, esse esforço não tem sido reconhecido pela direção da empresa, que impõe a cobrança de metas absurdas e sobrecarga de trabalho, adoecendo os empregados, como já apontou uma pesquisa realizada pela Fenae”, ressalta Takemoto.

Mais contratações

O presidente da Fenae defende a valorização dos empregados e mais contratações. Segundo ele, o quadro de pessoal é insuficiente para assegurar condições de trabalho dignas e melhorar a qualidade do atendimento à população.

A Caixa encerrou o 1º trimestre de 2022 com 86.876 empregados, com abertura de 4.974 postos de trabalho em 12 meses. Esse crescimento, contudo, atende à ordem judicial de convocação de aprovados em concurso realizado em 2014, após atuação da Fenae e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

O banco repôs, apenas em parte, o maior quantitativo de empregados que a Caixa já teve (100.677, no ano de 2014). Hoje, a relação de clientes por empregado é de 1.708,7, o que sobrecarrega dos trabalhadores.

Liderança na habitação

O banco público fechou março com ativos totais de R$ 1,5 trilhão e carteira de crédito de R$ 889 bilhões, crescimento de 11,2% em 12 meses.

Os resultados do trimestre apontam que a Caixa continua liderando a concessão de financiamento da casa própria. O banco liberou R$ 34,4 bilhões, aumento de 17,8% em relação ao mesmo período de 2021. Com isso, a carteira de crédito imobiliário fechou março com saldo de R$ 570,5 bilhões, aumento de 10,1%.

Houve ainda crescimento de 204,6% em contratações na carteira do agronegócio em comparação ao primeiro trimestre de 2021, com os empréstimos alcançando R$ 6,7 bilhões. Com a estratégia do banco público de dar foco ao setor agrícola, a carteira deu um salto de 142,9% em 12 meses, fechando o primeiro trimestre em R$ 21,2 bilhões.

No microcrédito, o banco informa ter concedido mais de R$ 1,2 bilhão, em um total de 1,7 milhão de contratos, dos quais mais de 80% dos empréstimos foram para negativados.

A taxa de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias foi de 2,33%, com aumento de 0,29% na comparação com o ano anterior. Consequentemente, as provisões para perdas associadas ao risco de crédito tiveram acréscimo de 25,34% no período, totalizando R$ 3,2 bilhões.

Loterias

As loterias da Caixa arrecadaram R$ 5 bi no 1T22. Desse total, R$ 1,9 bilhão, o equivalente a 38,5% do total, aos programas sociais nas áreas de segurança pública, social, cultura, segurança pública, esporte e saúde, valor este 27,9 % superior ao destinado no 1T21.

Informações retiradas na íntegra do site da FENAE

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