As relações entre a memória e a concentração no corpo humano

Por Carolina Marçal

Especialista detalha porque esquecemos coisas simples e lembramos de detalhes do passado

Quem nunca encontrou um conhecido na rua e não lembrou o nome da pessoa? Ou quando está na cozinha, abre a geladeira e esquece o que ia pegar lá dentro? No entanto, se lembra nos mínimos detalhes como foi a campanha inteira de um título do seu time do coração.

A verdade é que tudo isso, e claro muito mais, está relacionado com a nossa memória, parte mais do que essencial para o ser humano. Por mais que não seja um fragmento físico, a memória é um local de armazenamento, em que as informações ficam guardadas e, quando necessário, são recuperadas de forma quase literal. Isso de acordo com diversas áreas da Psicologia.

Mas também existe o outro lado da moeda, que se refere a concentração mental. Ela consiste em centrar voluntariamente toda a atenção da mente sobre um objetivo, objeto ou atividade que se está fazendo em um determinado momento, deixando de lado todos os outros fatos ou objetos que possam ser capazes de interferir na atenção. De certa forma, memória e concentração estão interligados.

O DR. Luis Felipe Berchielli é Neurologista pelo Hospital do Servidor Público Estadual e explicou que o esquecimento de pequenos detalhes é explicado pela estrutura do nosso cérebro e como ele funciona nas suas partituras.

“A memória pode ser dividida em 3 tipos. A memória de trabalho ou imediata refere-se a um tipo de memoração que retém pedaços de informações de maneira transitórias, podendo ser posteriormente usado para executar uma tarefa, como memorizar um número de telefone para escrever na agenda. Essa memória é rapidamente perdida ao longo tempo”, afirmou o médico.

“O outro tipo é a de curto prazo ou memória recente. Ela envolve a capacidade de codificar e recuperar itens específicos, como palavras ou eventos, após alguns minutos ou horas. E por último, a memória episódica remota ou de longo prazo, que refere-se à capacidade de recuperar itens específicos, como palavras ou eventos, após semanas, meses ou anos. Um exemplo disso seria perguntar ao paciente sobre o último filme que viu ou o que fez no último aniversário. Cada tipo de memória tem uma estrutura cerebral que é responsável por seu armazenamento”, explicou o neurologista.

O que vem sendo observado com o passar dos anos é um crescente aumento no número de pessoas que apresentam dificuldades de se concentrarem em tarefas simples do dia a dia e se esquecem com mais facilidade de objetos ou ações. Além do mais, essas objeções que antes atingiam mais os adultos e idosos, hoje alvejam cada vez mais os jovens.

De acordo com estudos dos profissionais da Veja Saúde, realizados em janeiro de 2021, pessoas de 30 até 35 anos estão passando por esse processo devido ao aumento de estresse e cansaço, cada vez mais presentes na rotina. Para os mais jovens, os principais vilões para com a memória têm sido a ansiedade, depressão, falta de sono adequado, sobrecarga mental, além de problemas nutricionais e hormonais. 

Efeito dominó do coronavírus

Imagem reprodução / Pixabay

Desde que a pandemia da Covid-19 chegou no Brasil, novas descobertas científicas aparecem diariamente e, dentre elas, as próprias sequelas da doença. Muitos cidadãos já relataram perda de paladar e olfato, aumento na queda de cabelo e cansaço eminente. Outras queixas recorrentes de quem já foi contaminado pelo coronavírus estão relacionados à parte cerebral humana.

De acordo com a Veja Saúde, cientistas do Brasil e dos Estados Unidos apresentaram resultados significativos após avaliarem 882 pacientes brasileiros internados em estado grave no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina do Universidade de São Paulo (HC-FM-USP). Segundo os especialistas, em seis meses, 89,3% dos pacientes relataram sintomas persistentes como cansaço, dores pelo corpo e dificuldade de respirar. Além disso, 58,7% apresentaram sintomas emocionais/cognitivos. Os principais destes foram perda de memória, insônia, concentração prejudicada, ansiedade e depressão.

Por outro lado, o Estado de Minas apresentou estudos do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) que mostraram a relação entre a infecção do coronavírus e os problemas nas funções cognitivas nos 185 pacientes recuperados. As pesquisas demonstraram que 80% dos enfermos não são curados em sua totalidade e apresentaram perda de memória, dificuldade de concentração, problemas de compreensão, sonolência, falta de equilíbrio ou problemas de raciocínio.

O neurologista Dr. Berchielli conta que estudos recentes já mostraram que o Sars-Cov-2 ataca diretamente ao sistema nervoso central, podendo causar diversas complicações em pacientes com COVID grave, como AVC e trombose venosa cerebral.

“Pacientes com formas leves ou moderadas que aparentemente não demonstram lesões estruturais em exames de imagem, podem apresentar quadros neurológicos que podem podem variar de falta de memória, falta de concentração, quadros de ansiedade e depressão. Todos eles podendo prejudicar a memória geral. Não há comprovação de terapias que possam melhorar o quadro, porém observamos que os quadro de memória apresentam melhora espontânea e as alterações neuropsiquiátricas tendem a melhorar com as terapias específicas”, analisou o médico.

Práticas para melhorar

Exercitar o cérebro ajuda, e muito, na memória e na concentração. Habilitar a cabeça ajuda não só a memória recente e a capacidade de aprendizado como previne contra a diminuição do raciocínio, do pensamento, da memória a longo prazo e da percepção, por exemplo.

O neurologista Dr. Berchielli afirma que uma boa saúde cerebral é a melhor maneira de preservar a nossa memória.

“Devemos ter um bom controle da hipertensão arterial, controle adequados do colesterol, controle da glicemia (se houver diabetes, manter um bom controle), manter um boa dieta equilibrada, evitando alimentos industrializados, ricos em colesterol, e também atividade física regular. Além disso, manter o cérebro ativo com atividades culturais com leitura de bons livros, assistir filmes ou peças de teatro, ir a museus e exposições”, finalizou o médico.

Confira alguns exercícios simples que servem para aumentar a capacidade de memória e evitar possíveis problemas:

  1. Praticar jogos como sudoku, jogo das diferenças, caça palavras, dominó, palavras cruzadas ou montar um quebra-cabeças;
  2. Ler um livro ou assistir um filme e depois relatar para alguém;
  3. Fazer uma lista de compras, mas evitar utilizá-la durante as compras e depois conferir se comprou tudo que estava anotado;
  4. Tomar banho de olhos fechados e tentar lembrar o local das coisas;
  5. Mudar o percurso que faz diariamente, pois quebrar a rotina estimula o cérebro a pensar;
  6. Trocar o mouse do computador de lado para ajudar a mudar os padrões de pensamento;
  7. Comer comidas diferentes para estimular o paladar e tentar identificar os ingredientes;
  8. Fazer atividades físicas como caminhada ou outros esportes;
  9. Fazer atividades que precisem de memorização como teatro ou dança;
  10. Usar a mão não dominante. Por exemplo: se a mão dominante for a direita, deve-se tentar usar a mão esquerda para tarefas simples;
  11. Encontrar com amigos e familiares, pois a socialização estimula o cérebro. 

Entenda melhor como funciona essa parte do nosso corpo:

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